O TAROT
Um breve histórico
Século XIV
Em 1392, na França. Jacquemin Gringonneur, a pedido do Rei Carlos I, cria o mais antigo
Tarot que se tem registro histórico. Manualmente desenvolvido, com folhas de ouro, tintas
a base de sementes. raízes, flores e minerais; magicamente preparadas, dando forma a toda
tradição mágica e cabalística.
Com um estilo artístico próprio e inconfundível, o Tarot de Gringonneur é uma
verdadeira obra de arte valiosíssima, hoje se encontra no Museu da Biblioteca Municipal
de Paris, com apenas 17 peças remanescentes. Apesar de não conter nomes e números, as
lâminas realmente pertencem a um baralho de Tarot.
Século XV
Por volta de 1450, outro grande baralho ricamente ilustrado, o Visconti-Sforzi, fora feito
artesanalmente por Bonifácio Bembo. Em fundo de ouro, prata e vermelho. Adquirido pelo
Duque de Milão, Fillipo Maria Visconti, (Cremona/Itália), na ocasião do enlace
matrimonial de sua filha, Bianca Maria Visconti com Francesco Sforza. Aproximando a
disposição original dos 78 Arcanos. O baralho está dividido pelo mundo: uma parte na
Biblioteca Piermont (Nova Iorque) e outra parte entre colecionadores. A arte composta no
baralho é inconfundivelmente medieval, lembrando o estilo das iluminuras dos livros
sagrados da época.
No princípio do século XV, começa a ser empregada uma técnica que viria a revolucionar
as demais: A Máscara, que consistia em padrões ou moldes perfurados e entalhados.
Acredita-se que esse processo deu origem à xilografia, técnica que permitia gravar a
partir de um bloco de madeira, funcionando como um carimbo.
Tarot de Visconti-Sforzi: Biblioteca Pierpont Morgan, NY;
Cartas de Guidhall: Galeria Guidhall, Londres;
Cartas de Rothschild: Museu do Louvre, Paris;
Cartas de Tarocchi: Biblioteca Nac. Torino, Torino;
Cartas de Correr: Museu Correr, Veneza.
Século XVI
Surgiram diversos baralhos, denominados Tarocchinos (ou Taroccos), principalmente na
Itália, França e Espanha. A preocupação com a arte nessa época começou a se estender
ao dorso das lâminas. O desenho composto por múltiplas linhas cruzadas diagonalmente e
de diversos tamanhos, foi batizada pelos franceses de Tarotée (uma das possíveis
etimologias da palavra Tarot) e outro desenho (raramente utilizado) denominado Tares, era
composto por pingos ou respingos, feitos normalmente em prata. A arte composta nas
lâminas, ainda, possuía muito fortes traços geométricos, tornando as figuras humanas
"quadradas".
Cartas Italianas: Museu Metropolitano de NY, NY;
Cartas Italianas: Museu de Finas Artes, Budapeste;
Cartas de Veneza: Museu de Arte Popular, Roma;
Cartas de Agnolo Hebreu: Museu Britânico, Londres;
Cartas de Sola Busca: Museu Britânico, Londres;
Cartas Catelin Geofroy: Museu de Artes, Frankfurt;
Cartas Clássicas: Museu Municipal de Rouen, Rouen.
Século XVII
A Europa vivia a forte influência da cultura cigana. As lâminas do Tarot começaram a
ganhar tons mais alegres e menos sombrios. Nessa época havia uma proliferação dos
métodos advinhatórios.
Por volta do final desse século, surgiu o Tarot de Marselha. A técnica utilizada é a
xilografia (desde o século XV) e nesse período o avanço gráfico foi primordial (o que
influenciou Gutenberg, com a criação da imprensa). O Tarot de Marselha possui traços
inconfundíveis, possuindo nomes, números, compondo um grupo de 78 Arcanos ( clássicos )
e tendo maior profusão de cores. Infelizmente, pela forte influência política francesa,
o Tarô de Marselha perdeu sua estrutura original de cores e adquiriu na maior parte de
seus detalhes, as cores da bandeira francesa.
Perseguido e denunciado, entre outras coisas como o "Livro do Diabo" durante a
Inquisição, o Tarot sobreviveu nos subterrâneos das bibliotecas e até nas mãos dos
ciganos. Um dos seus maiores expoentes no Ocidente foi o sábio Giordano Bruno, que
recomendava: meditações com as imagens das cartas. Ele morreu, em Roma, queimado pela
Inquisição em 1600.
Tarot de Jacques Vieleville: Biblioteca Mun. de Paris, Paris;
Tarot Jean Noblet: Biblioteca Mun. de Paris, Paris;
Tarot Parisiense: Biblioteca Mun. de Paris, Paris;
Tarot de François Chasson: Biblioteca Mun. de Paris, Paris.
Século XVIII
Com a descoberta da litografia no ano de 1796, pelo alemão Alois Senefelder, os rumos da
arte do Tarot mudaram por completo. Para se ter idéia, do salto que ocorreu, no século
XV só havia 3 fabricantes oficiais de Tarot ( Itália, Alemanha e Bélgica); no século
XVI, 8 fabricantes ( mais a França ); no século XVII, 11 fabricantes e no século XVIII,
o incrível número de 196 fabricantes.
Todos os Tarots do Século XVIII ainda são editados e podem ser encontrados em livrarias
especializadas, seus originais estão em poder de colecionadores particulares:
Tarot de Pierre Madenié (1709);
Tarot de Jean Pierre Payen (1713);
Tarot de François Heri (1718);
Tarot de Claude Tomasset (1731);
Tarot de Grimaud (1748);
Tarot de Cloude Burdel (1751);
Tarot de Bernard Schayer (1784) entre tantos.
Século XIX
Com um total de 484 produtores de Tarot em toda a Europa, surgiram (com a proliferação
do ocultismo) muitos baralhos com símbolos astrológicos, letras hebraicas, glifos
mágicos, etc. Baralhos como Grimaud, Eteilla, Oswald Wirth, dentre outros já possuíam
particularidades próprias de seus criadores.
Tarot de Gean Gerger (1800);
Tarot de Jacques Burdel (1813);
Tarot de Benois (1818);
Tarot Suíço 1JJ (1865);
Tarot Clássicode (1889);
Tarot de Oswald Wirth (1889);
Tarot de Falconnier (1896).
Século XX
Muitas ordens ocultistas influenciaram o pensamento de criadores e artistas. Nos anos 20
é criado o Rider Tarot, idealizado por Arthur Edward Waite, membro da Golden Dawn. Esse
Tarot trouxe um conceito artístico revolucionário: foi o primeiro a criar ilustrações
dos Arcanos Menores. As cores do Rider, trabalhadas pela inspiração da jamaicana Pamela
Colman Smith, são vivas, alegres e os traços e desenhos, lembram a fase renascentista.
Esse baralho é o segundo mais vendido hoje, e um dos que mais influenciaram outros
artistas (o primeiro, evidentimente, é o de Marselha).
Não podemos deixar de citar o Toth Tarot, de Aleister Crowley, que levou 5 anos (1938 a
1943) para ser concluído, ilustrado por Lady Frieda Harris. A arte tem ares surrealista,
e forte composição e combinação de cores.
O mais consagrado artista desse século, que desenhou um baralho de tarot foi Salvador
Dali.